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Pequenas Conchinhas
Por: R$ 37,02
ISBN: 85-7493-559-x
Formato: 14x21
N° de páginas: 146


Descrição

Recomendo ” título para encabeçar a apresentação ou comentários de um livro? Parece algo descabido, não pretendo inovar. Assim sendo, apenas recomendo que esse livro seja percorrido como se catássemos conchinhas na areia límpida da praia, ainda de manhãzinha, quando não tem quase ninguém a disputá-las. É aquele momento em que o estar só é só prazer. Catar conchinhas... Lindas! Quem não catou? Lindas! A seguinte mais bonita do que a anterior, imperdível... e mais uma. Olho brilhando: ó-essaqui! E aquela! Ih! Me enganei! Assim mesmo, cheios de exclamações, de conchinha em conchinha, quem não fez? Paixão, encantamento, decepção, que se renovam a cada passo, de poesia em poesia, acompanhando Eduardo. Assim é essa vida, ou poderia ser, segundo esse autor, que parece nos convidar a mantermos essa chama acesa e assim vivermos a vida. A proposta é pegar leve, não fundir a cuca, deixar que o mais ou menos passe à categoria de excelente, fazer poesias sem métrica, sem preocupações formais, sobretudo porque como afirma: toda lógica refuta seu próprio argumento, pois não existe verdade que ultrapasse seus próprios muros. E também: e a poesia sem rima, rimada não seria? O poeta exerce o exercício de não exercer. Portanto, não vale a pena viver essa vida cronometrando-a, vale a pena percorrê-la tal como catávamos conchinhas. A esmo, sem medos, porque cedo ou tarde esse solitário prazer encontra o necessário eco no coletivo ” no Outro ” tal como a beleza do ruído entranhado por séculos numa concha ganha existência quando uma inocente criança a escuta. Sabendo-se timoneiro do seu vazio, pergunta em outro momento. Por que tanto drama? Um pouquinho mais de calma! Enfeit-içado não vou olhar. Mas, meus olhos não obedecem meu pensar, constatando aquela coisa tão difícil, quase impossível de encontrarmos: o óbvio. Afinal, as coisas não caminham de acordo com a nossa deliberação, ou caminham? Liberta-se de paradigmas, em Domingo Nublado, e mostra sabedoria ao apontar o desconforto da falta de um patrão. É púbere e ancião em Como vai você? Afinal de contas, por que recomendação? Cabe uma explicação. Eduardo ia completar 82 anos, quando o conheci, e eu acabara de fazer 07 anos. Números indiscutivelmente verdadeiros, conferidos pela licença poética. Esse quase menino ” se aproximando dos 28 anos ” invertia nossa idade, assim como o lugar imposto de discípulo e mestre. Eu precisava utilizar cada um dos meus 70 anos para entrever e mostrar as variáveis dessa coisa fantástica que é a vida. Vida tão imprecisa e tão mutável, surpreendente a cada instante, e ele, parecia já saber de tudo isso. Era mais do que parecia, não era dono de informações que se fechavam em círculos. Possuía além de um conhecimento, mais do que um saber: estava vivo, intenso, apaixonado, amargo, decepcionado, vibrante, alegre em cada um do momentos, entendendo ser assim. Eduardo demonstrava ter ” de fato ” vivido e estar vivendo. Passeava, livremente, dos clássicos aos contemporâneos. Externamente, personificava (segundo ele próprio dizia) Crátilo, aquele pré-socrático que ” descrente da viabilidade da palavra ” em lugar de falar, apontava com o dedo para as coisas cujo significado desejava transmitir. Eduardo não era só mudo, nem gesticular, gesticulava. Tímido? Certamente não! Seus olhos brilhavam intensamente quando captava algo de interesse e falavam tudo. Falavam tudo intimamente e com intimidade. De Eduardo passou a Duda como se nos conhecêssemos desde guris. Guris? Ainda se usa esse termo? Eduardo é também psicólogo, Numa subjetividade histérico-cartesiana-pós-freudiana-analisadamente-complexa! (em Dúvida Metódica). Trabalhamos na mesma instituição. Ele na categoria de iniciante, e eu na categoria de ancião, com o dever de indicar o caminho a ser percorrido, pelo menos esse é o paradigma. O problema é que experiência, nessa atividade, segundo penso, não é algo confiável, porque pode levar à repetição do(s) erro(s). Sigo com Antonio Machado: caminante no hay camino. Se hace camino al andar.Golpe a golpe. Verso a verso; ou, simplesmente, a partir desse autor, caminha-se, encantado, de conchinha em conchinha. Duda nos oferece uma lição de vida com sua pequenas conchinhas. Daí o recomendo esse livro. É um livro de psicologia? Sim e não. Sim, (oferecendo uma informação aos não iniciados no campo das terapias), porque recomendação é parte do título de um artigo clássico de Freud dirigido à queles que começavam a trabalhar como psicanalistas, quando diz: não são regras, são recomendações que são, na verdade, pormenores insignificantes dada a infinita variedade de possibilidades, a extraordinária diversidade das constelações psíquicas envolvidas, a plasticidade de todos os processos mentais e a riqueza dos fatores determinantes opõem-se a qualquer mecanização. E, não, porque o próprio criador da psicanálise afirmava não estar dizendo nada que os poetas já não tivessem dito assim, aprendemos, e muito, com Duda. Comungo com aqueles que afirmam que os mistérios dessa vida podem ser mais facilmente encontrados em Manoel de Barros, Tolstoi, ou no poeta da rua (como dizia Drummond), do que nos, embora indispensáveis, bem elaborados compêndios de psicologia. Luiz Lévy


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